domingo, 26 de fevereiro de 2012

O AMOR E O SEU CAVALO BRANCO


Um dia alguém leu aqui que eu espero encontrar o meu Príncipe Encantado, e me achou um tanto quanto controverso, tomando por base o excesso de realismo expressos na forma como registro meu olhar sobre vida. Será? Querer o melhor pra sí a sombra segura do que é real e tocável é ser infantil e controverso? Sei não, eu continuo esperando o meu Príncipe Encantado.

            Quase me senti confundido, mas, já tinha uma opinião formada sobre o que considero Príncipe e o que considero Encantado/ Encanto. É claro que como qualquer outro cara normal, filho de Deus, torcedor do Cruzeiro/MG, eu também desejo/espero encontrar um bom padrão físico e psicológico, bem resolvido, independente, que sustente minhas carências/buscas e por mim faça juras inquebráveis de AMOR, é o que todo mundo quer, não é??? Mas a vida em tons reais não é muito cor-de-rosa, e eu desde muito novo nunca acreditei em contos de fadas, só nos Príncipes Encantados, Hehehe, bom até o momento a idéia e desejo que cultivo sobre esta busca/indivíduo, é que este seja alguém com ATITUDES NOBRES, em amplo sentido de honestidade, bom caráter, boa moral e conduta, e que ao mesmo tempo, FAÇA DESPERTAR EM MIM SENTIMENTOS NOBRES/RENOVADOS.

Ainda que o termo ENCANTADO pareça algo não real, fantasioso, a definição que tomo é a mesma ofertada pelo Aurélio: Seduzir; Cativar; Maravilhar; Arrebatar; Causar extremo prazer a; Deliciar; Tornar invisível; fazer desaparecer.
A vida é pura psicologia então quando combino as palavras ENCANTO e DESPERTAR EM MIM SENTIMENTOS RENOVADOS eu falo daquilo que traduzimos como amor a primeira vista, arrebatadora entrega e flamejante conquista.
Como é bom AMAR, e durante a vida amamos muito e muitos, mas em cada “ENCONTRO BOM”, de frente para o amor, nos deixamos levar como se estivéssemos sentindo-o pela primeira vez e este momento bom eu defino como ESTAR ENCANTADO, um desconhecido que chegue cheio de boas possibilidades e intenções, capaz de nos conquistar/encantar de tal forma que, espontaneamente nos afasta de todos os limites da razão, principalmente das barreiras levantadas durante aqueles momentos onde tomados pelas tristezas de algum desencontro, prometemos a nós mesmos nunca mais confiar em ninguém e principalmente não acreditar no amor. E para que essa relação não seja interpretada como simples oferta, eu acrescento que estou falando daquele tipo de pessoa que em um dado momento da relação, quando se despede e diz boa noite faz o coração do outro lado desejar que a noite passe rapidinho para que logo em breve ouça o bonitinho dizer cheguei, bom dia..... ç Isto é estar encantado.


Ainda que sejamos moldados pela experiência individual de cada dia, quando encontramos o “Príncipe Encantado”, mesmo com toda sobriedade de nossas intenções, nos entregamos e nos contentamos como crianças felizes, traídas por um grande pedaço de bolo de chocolate ao invés da refeição principal.

            Um pequeno parêntese a ser considerado e aplicado em todo contexto desta minha pequena narrativa é que, como eu estava falando do que busco desenhei em todo texto apenas o meu olhar daquilo que desejo ver no outro, mas é bom deixar claro que estou ciente e reitero ao contexto geral que A AÇÃO ENCANTAR, em minha opinião, sempre deve fluir de ambas as partes, é claro que alguém é despertado primeiro, mas, a partir do gesto inicial, o movimento deve se fazer recíproco para que se faça constante, verdadeiro e interessante. Outra pequena a acrescentar é que, o fato de desejar alguém que me encante não quer dizer que eu esteja desencantado, acorrentado em porões de tristeza e solidão, ao contrário, estou vendendo alegria hehehe, para esta narrativa eu usei a importância da ação encantar de forma extensiva, pois grande maioria do que fica no passado deixa alguma cicatriz e claro, precisa ser tratada, pois o passado volta e meia resolve nos visitar, mesmo sem ser convidado.
Só para constar, a quem interessar saber, eu sou amigo do meu passado, o que me acrescenta permanece como amigo, não influencia e nem me perturba, o que não acrescenta foi para algum lugar indicado pela sugestiva DELETE. Sobre este último, acredito que romper seus limites, sarar suas dores, exorcizar seus demônios e fazer as pazes com os seus Deuses seja o caminho mais fácil para a saúde do coração. Com o tempo, sozinhos, aprendemos a nos desinfetar de amores mal resolvidos, sem ter que manifestar problemas aos nossos novos colaboradores, e quando um Príncipe Encantado encontra outro Príncipe Encantado, HumMmMmM, é quase um conto de fadas. Heheheh

As coisas têm o peso e a importância que damos a elas.

Então, para não dizer que procuro uma Pessoas honesta, dedicada, correta, integra, verdadeira, com bons hábitos, costumes, intenções, atitudes, vínculos, etc...etc..., capaz de me fazer esquecer as desilusões amorosas, me fazendo ser e sentir um novo campo sentimental produtivo, eu simplifico e chamo essa minha busca de PRÍNCIPE ENCANTADO, um perfil Nobre capaz de Encantar.

Algumas coisas na vida se tornam prazerosas pela simplicidade em que se oferecem, pequenas nomenclaturas podem carregar grandes importâncias...

Exemplo 1:
Modo simples: Moço me da um sorvete.
Cientificamente ao pé da letra: Moço me dê um produto alimentício submetido ao congelamento, obtido ou a partir de uma emulsão de gorduras e proteínas, com adição de água, açucares, suco de frutas, leite, ovos, etc.....

Exemplo 2:
Popularmente ao pé da letra: Sirva-me um pretinho, amargo, moído, adoçado e passado num saco fervendo, mexido com um comprido duro.
Modo simples: Me da um Café.


Príncipe Encantado, expressão simples constituída de apenas duas palavras que para alguns soa meio infantil, mas que racionalmente não perde toda a majestade e importância da figura que almejo a partir de sua vasta simbologia gramatical. Mas se disso tudo eu tenho certezas claras, só me falta entender outra coisa????

???O que seria o Amor???


“...AMOR... Platão compara-o a uma caçada (comparação aplicada também ao ato de conhecer) e distinguia três tipos de amor: o amor terreno, do corpo; o amor da alma, celestial (que leva ao conhecimento e o produz); e outro que é a mistura dos dois. Em todo caso o amor, em Platão, é o desejo por algo que não se possui...” Fonte: Wikipedia

O Aurélio também o define como muitas coisas, algumas que consigo entender na prática, mas ainda sim, pra mim, faltam muito a ser traduzido sobre o amor.

Amor é o que sinto ou o que sentem por mim?
Alguém Ama sozinho?
Um casal se Ama em porcentagens diferentes?
Quem Ama às vezes chora de decepção?
Quem Ama é obrigado a perdoar?
Amor é a certeza do que tenho ou a incerteza do que não posso ter?
Quem Ama é capaz de trair?
Quem Ama é capaz de matar?
Quem Ama é capaz de mentir?
Quem Ama precisa ser perdoado?
Quem Ama prefere os amigos?
Quem Ama senti excitação por terceiros além do amado?
Amor é sentimento, oportunidade ou oportunismo?
Amor eterno é o mesmo que amor a termo?
Amor é fruto propulsor individual que pode não estimular o outro?

Pensando em todo este vasto universo compreendido na simplicidade da palavra RELACIONAMENTO, eu realmente não consigo enxergar uma definição concreta, usual, que incorpore ou não todos os comportamentos de quem geralmente combina as palavras AMO VOCÊ. Ficam algumas dúvidas que na pratica são dolorosas, mas que também não são insuperáveis.
Acho admirável a tradução que fazem da palavra AMOR, principalmente sua vasta interpretação artística, nas músicas, poesias e filmes, mas, ainda sim tenho minhas dúvidas sobre sua experiência real, principalmente nessa atualidade grotesca onde por muito pouco ou quase nada pessoas são substituídas e descartadas sem nenhum constrangimento e outros, se obrigam a sustentarem convivências improdutivas, doentes, mutiladoras, desrespeitosas, a sombra da projeção daquilo que consideram amar e ser amado ou até mesmo pelo simples medo de sobrarem sozinhas.

Uma dica bonitinha para quem se sente sozinho ou tem medo da solidão: Me liga...Hehehe....Brincadeira, se a sua Solidão ou o medo dela, te castigam, sugiro uma brilhante interpretação de Rubem Alves, a qual segue um recorte abaixo:


  
“Entre as muitas coisas profundas que Sartre disse, essa é a que mais amo: “Não importa o que fizeram com você. O que importa é o que você faz com aquilo que fizeram com você.“ Pare. Leia de novo. E pense. Você lamenta essa maldade que a vida está fazendo com você, a solidão. Se Sartre está certo, essa maldade pode ser o lugar onde você vai plantar o seu jardim.”





Continuando, outro dia vi naquele programa tosco do Casos de Família, casais confrontando sua confiança, marido, esposa e possíveis amantes travaram cara a cara, uma guerra sem objetivo algum a não ser diminuir a esperança que as pessoas boas ainda cultivam, em encontrar um bom parceiro. Em outro dia, no mesmo programa casais que habitualmente se agrediam fisicamente, mas que, em nome do “amor” não rompiam aquela relação que, de tão deformada, potencialmente carregava indícios de evolução para atentados contra a vida, como já fora tentado. Ninguém se completa, todos se criticam, vivem se enfrentando e ainda dizem que estão juntos porque se amam.

Uai, então eu deixei de entender mesmo o significado da expressão Amor, pois pra mim o Nobre tem que ser capaz de me encantar para que possamos superar nossos limites e eu também oferecer encantos, onde neste contexto solidário seja possível produzir o desejo e a possibilidade de construirmos novos amanhãs, logo, quem produz sentimento contrario, atitude contraria não deveria estar vivendo com outra pessoa e muito menos usando a palavra AMOR, a não ser que amor não seja nada do que pintaram em tela, ou cantaram nas músicas, ou que embelezaram nas poesias, ou o que encenaram nos cinemas, ou o que eu e você algumas vezes acreditamos ou desejamos sentir.

Paralelo a tudo isso, um amigo de internet postou uma frase que dizia mais ou menos isso: As lésbicas são tão praticas e felizes, porque os G/homens são tão complicados?

Ironicamente, pela liberdade que cultivamos eu disse que: A diferença se encontra superficialmente, os G/homens são em grande maioria atraídos por músculos e ninguém se importa com conteúdo, mesmo o sentimental, já as Lésbicas, vivem muito o interior sentimental, já que estas não tem o costume de ficarem medindo e selecionando parceiros pelo tamanho dos musculosos, e neste caso estamos falando da língua. Hehehe

Isso não foi um comentário homofônico, principalmente porque eu não divido nosso grupo em classes, pra mim somos todos a mesma expressão daquilo que naturalmente temos que ser, sem muitas explicações de gênero, apenas somos, sejam homens e mulheres, gays ou heteros. Mas tirando a parte irônica, feita com todo respeito, eu realmente acredito que as mulheres de nossa realidade assumem posturas másculas bem tradicionais, no momento não sei definir muito bem essa afirmativa, mas acredito que sentimentalmente as mulheres que amam mulheres são mais verdadeiras que os homens de nossa realidade, os quais em grande maioria assumem uma postura afeminada e promiscua. A promiscuidade existe em qualquer individuo, não é uma condição especifica do sexo feminino, só usei o termo “afeminada e promiscua” para deixar bem pareada a analogia de que em comportamento, as mulheres se portam como homens tradicionais, românticos, sérios, objetivados, e os homens se portam mais afeminados, vezes vulgares, sem sentimento e respeito. Não existe regra absoluta, o narrado é fato observado, e por fazer referencia a personagens reais, está sujeito à alteração a todo e qualquer instante, mas ainda sim, é assim que funciona para alguns, infelizmente.
O primeiro casal invejável que conheci, em meados de 2008 foi um casal de mulheres, lindas, bem sucedidas, fieis aos objetivos que cultivavam diariamente, companheiras, amigas, inteligentíssimas que para minha surpresa viviam juntas há tantos anos, que nem me lembro mais. Até aquele encontro, eu que começava a dar os primeiros passos em minha convivência G acreditava que de modo geral os G viviam sozinhos, foi interessante ver um casal se doando a tantos anos e com objetivos maiores que a soma do tempo que estavam juntas, o que para mim era uma boa nova e para elas um mero detalhe diante de uma boa vivencia. O sabor da convivência a dois era tamanho, que se estendiam a convivência diária com os filhos de outros relacionamentos. Paralelo a esta apresentação, a pessoa em comum que as conhecia me apresentou também um outro casal, de homens, que para resumir só tinham em comum o somatório de meses em convivência, pois todo o resto era o oposto. De um lado, mulheres, uma vida pacata, afetuosa, cheia de valores, cultura e respeito, e de outro, homens, vidas agitadas pela curtição noturna, a falta de respeito, falta de compromisso, muitas magoas, algumas agressões e tantos escândalos, em comum, todos diziam amar. Será?

Concluindo, do pouco que vivi, no momento concordo que as mulheres realmente estão muito mais entregues a uma convivência amorosa, e não estou fazendo este julgamento tomando por base estes dois únicos exemplos, ao contrario, a minha convivência permitiu a entrada de muitas tantas outras pessoas que também poderiam ser usadas como referencia a este raciocínio, a praticidade é que nos limita.

Sobre relacionamento, acho que ficou bem evidente que eu não ligo o sucesso deste, a quantidade de qualidades (profissionais, sociais, financeiras, físicas e intelectuais) que uma pessoa possa ter, pois esse rol de qualidades pode ser somado a qualquer fase da vida, o que defendo aqui é a capacidade individual de cada um em manter a sinceridade do comprometimento entre dois, tipo/exemplo, aquela pessoa que me faz tão bem e naturalmente tem o mesmo em resposta e assim, de forma natural e universal o ciclo que tem início casual se transforma em uma constante sólida, que se traduz num rol de expressões e ações sentimentais e comportamentais saudáveis, que a todo instante beneficia os dois indivíduos sem previsão de um final. Eu acredito que dentro do que julgo ser Amor não existe espaço para qualquer desvio que coloque o parceiro em posições desfavoráveis (dolorosa, desrespeitosa, etc.), para mim, o respeito, a compaixão e a comunhão entre partes imperam acima de qualquer situação/condição/oferta/excitação e se torna meio/base para toda construção e sobrevivência sentimental.
Quando entendemos o amor como uma expressão sentimental que sobrepõem o absolutismo das qualidades citadas no parágrafo acima, os quais talvez possam indicar um ser perfeito, damos ao sentimento o dom de ser humanizado, tocável e possível de ser realizado em/por nós, e ai aprendemos que a perfeição, o sagrado não esta nos títulos que definem Ô, mas nas ações, intenções e considerações DE PARA, e estas, ações, intenções e considerações DE PARA, é que serão a aliança que sacraliza o interesse e a capacidade de unir os diferentes. Quando digo diferentes, falo da pessoa que ama cinema mas não se  importa em assistir novelas para acompanhar o parceiro, e em resposta tem o mesmo comprometimento solidário do parceiro e não de um indivíduo que respeita e é desrespeitado, de casais que se agridem, de casais que só existem na cama, etc..etc..

Mas em todo caso, respeitando a gleba de expressões, sobrevive à dúvida, o que é o Amor? Quem o citou primeiro realmente sentiu tudo o que já foi definido ou um segundo exagerou e o transformou em algo quase intocável? Será que a sua tradução evoluiu ou foi reduzida com o passar do tempo, se adequando às mudanças de comportamento? Não seria o Amor apenas uma “condição susceptível” que se manifesta individualmente a partir da projeção de necessidades e frustrações de outras intenções de convivências falidas ou não realizadas? Ou seria o Amor irmão da Religião, outra forma de alienação?

As dúvidas se justificam na precariedade que enxergo no amor dos outros, a busca por resposta talvez definisse melhor algum parâmetro que evite a dor ou exageros, a certeza deste sentimento está naquilo que posso oferecer.

 Acreditar e não ter onde aplicar soa meio vão e poético, mas são apenas conseqüências do acaso, e se a vida, os momentos fossem reduzidos a trilhas sonoras, pela experiência diária, muitas vezes cantaríamos Britney Spears (Criminal), caminharíamos as incertezas de Adele (Chasing Pavements) e o coração esperançoso bateria/choraria ao som de Paulo Ricardo (Onde está o meu amor?).

Rubem Alves também diz algo bonitinho, coerente com a nossa “bagunça”, que conforta o nosso desconfortado: Amar é ter um pássaro pousado no dedo. Quem tem um pássaro pousado no dedo sabe que, a qualquer momento, ele pode voar.

Entre tantas interpretações e comportamentos, a única certeza que prego, é a de que se for para AMAR, que este venha Nobre e Grande, porque EU SÓ SEI AMAR NO 220 Volts...


Mineirim Leo

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